sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Introdução

A evolução da população portuguesa entre 1864 e 2011

Variação da população dos concelhos

Muito se fala da crise económica e da crise financeira que assola o País nos últimos anos.
Esquecemo-nos, no entanto, de uma outra crise que silenciosamente varre Portugal desde há cerca de 60 anos e cujos reflexos se fazem sentir, com especial incidência, nas zonas do interior do País.

Todos nós já ouvimos falar na desertificação do interior, no envelhecimento da população, na baixa da natalidade, etc., etc.
Mas, concretamente, do que é que falamos ?
Quando falamos de desertificação populacional temos de facto noção de quantos habitantes o interior do País perdeu nos últimos anos?
E quais foram as regiões mais afectadas?

E que diferenças é que existem entre a população que residia em Portugal em 1864 e a que residia em 2011 ?
Variação da População dos Distritos
Sabia, por exemplo, que
  • ·        em 1900, por cada 100 habitantes havia 34 crianças com idades entre os 0 e os 14 anos e que em 2011 esse número tinha descido para 15?
  • ·         em 1900 por cada 100 habitantes havia 18 jovens com idade entre os 15 e os 24 anos e que  em 2011 esse úmero tinha descido para 11?
  • ·        em 1900 por cada 100 habitantes havia 6 idosos com 65 ou mais anos e que em 2011 esse número tinha subido para 19?

Evolução dos Grupos Etários

Evolução Percentual da População
  • a partir dos anos 60 do século passado, o número de jovens com idade até aos 24 anos tem vindo a diminuir drasticamente, e que essa quebra ultrapassa os 1,3 milhões nos últimos 30 anos?
  • em 2011 o número de idosos com 65 e mais anos era 6 vezes maior do que os existentes em 1900?

População dos 0 aos 14 anos

População dos 15 aos 24 anos

População dos 25 aos 64 anos
População com 65 ou mais anos
  • há uma significativa disparidade entre a evolução populacional verificada nas zonas do interior do país e nas zonas próximas do litoral?

Evolução da População
Evolução dos grupos etários
  • as maiores quebras populacionais se registaram no censo de 1920, (em resultado dos efeitos da 1ª Grande Guerra e da peste pneumónica), e no censo de 1970  (efeitos da vaga migratória para o centro da Europa)?
  • os maiores aumentos populacionais se registaram  nas décadas de 1930/40 (redução do fluxo migratório por efeito da crise económica), seguido da década de 1970/1981 (entrada de 600 000 ex residentes das colónias africanas)?

Evolução entre censos
Já agora, e a título de curiosidade, sabia que em 2011:
  • o nº de homens superava o das mulheres até aos 24 anos e que a partir dessa idade se dá precisamente o contrário ?
  • no universo das pessoas com mais de 75 anos, 82% eram mulheres e apenas 18% eram homens?

População com mais de 75 anos


É costume dizer-se que quem conhece o passado e entende o presente tem mais possibilidades de prever o futuro e estará em melhores condições para tomar as decisões necessárias à implementação das medidas mais correctas.

Foi essa preocupação que me levou a criar este blogue, onde (de forma simplista e provavelmente pouco académica) irei tentar traduzir nos posts seguintes, através de mapas e gráficos, os dados que constam dos recenseamentos populacionais realizados em Portugal, entre 1864 e 2011, e que se encontram disponíveis no site do INE, em formato digitalizado.

Dada a grande quantidade de informação disponível irei dedicar este blogue unicamente às alterações populacionais registadas ao nível dos distritos; os dados relativos aos concelhos e às freguesias estarão disponíveis em "sites" criados para o efeito, e que serão reportados na coluna da direita.

De facto
  • quando vemos a taxa de natalidade a baixar para níveis que nos colocam na cauda dos países europeus;
  • quando vemos a taxa de mortalidade a ser superior à taxa de natalidade;
  • quando vemos concelhos a registar menos 90% de jovens apenas em 30 anos;
  • quando vemos freguesias do interior sem quaisquer crianças; 
  • quando vemos a redução do número de habitantes que se regista em muitos dos concelhos raianos, penso que
é necessário que a sociedade portuguesa e, principalmente, os seus dirigentes políticos tomem consciência da gravidade do legado que estamos a deixar aos nossos filhos e netos.

(A este propósito sugiro a leitura do ensaio “Projecções de População Residente 2012-2060”, disponibilizado no site do INE.).

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J. Ferreira
2013










Indice dos temas

1.Número de habitantes recenseados 
1.1 Número total de habitantes por distrito (1864/2011)
1.2 Número total de habitantes por concelho (1864-2011)
1.3 Número de habitantes com idades entre os 0 e os 14 anos por distrito (1900/2011)
1.4 Número de habitantes com idades entre os 0 e os 14 anos por concelho (1900-2011)
1.5  Número de habitantes com idades entre os 15 e os 24 anos por distrito (1900/2011)
1.6 Número de habitantes com idades entre os 15 e os 24 anos por concelho (1900-2011)
1.7  Número de habitantes com idades entre os 25 e os 64 anos por distrito (1900/2011)
1.8 Número de habitantes com idades entre os 25 e os 64 anos por concelho (1900-2011)
1.9  Número de habitantes com 65 e mais anos por distrito (1900/2011)
1.10 Número de habitantes com 65 e mais anos por concelho (1900-2011)
1.11 Grupos etários comparados por distrito

2. Variação do número de habitantes 
2.1 Variação do número total de habitantes (1864/2011)
2.2 Variação do número de habitantes dos 0 e os 14 anos (1900/2011)
2.3 Variação do número de habitantes dos 15 e os 24 anos (1900/2011)
2.4 Variação do número de habitantes dos 25 e os 64 anos (1900/2011)
2.5  Variação do número de habitantes com 65 e mais anos (1900/2011)

3. Taxas de crescimento entre censos
3.1 Taxas de crescimento da população total (1864/2011)
3.2 Taxas de crescimento da população com idades entre os 0 e os 14 anos (1900/2011)
3.3 Taxas de crescimento da população com idades entre os 15 e os 24 anos (1900/2011)
3.4 Taxas de crescimento da população com idades entre os 25 e os 64 anos (1900/2011)
3.5  Taxas de crescimento da população com 65 e mais anos (1900/2011)

4. Evolução da estrutura etária da população
4.1 Grupo etário dos 0 aos 14 anos (1900/2011)
4.2 Grupo etário dos 15 aos 24 anos (1900/2011)
4.3 Grupo etário dos 25 aos 64 anos (1900/2011)
4.1 Grupo etário dos 65 e mais anos (1900/2011)

5. Pirâmides etárias

6. Índices populacionais
6.1 Índices de dependência de jovens (1900-2011)
6.2 Índices de dependência de idosos (1900-2011)
6.3 Índices de dependência total (1900-2011)
6.4 Índices de envelhecimento (1900-2011)
6.5 Índices de sustentabilidade potencial (1900-2011)

7. Distribuição da população por sexos

8. Distribuição da população por distrito e arquipélagos
8.1 População total (1864-2011)
8.3 Grupo etário dos 0 aos 14 anos (1900-2011)
8.5 Grupo etário dos 15 aos 24 anos (1900-2011)
8.7 Grupo etário dos 25 aos 64 anos (1900-2011)
8.9 Grupo etário dos 65 e mais anos (1900-2011)
8.10 Evolução comparada  (1900-2011)

9. Densidade populacional
9.1 População total (1864 -2011)
9.2 Grupo etário dos 0 aos 14 anos (1900-2011)
9.3 Grupo etário dos 15 aos 24 anos (1900-2011)
9.4 Grupo etário dos 25 aos 64 anos (1900-2011)
9.5 Grupo etário dos 65 e mais anos (1900-2011)

10. Taxas de analfabetismo
10.1 Número de analfabetos homens e mulheres (1900-1950-2011)
10.2 Taxas de analfabetismo entre os homens e mulheres (1900-1950-2011)

11. Nascimentos, casamentos e óbitos
11.1 Número de nascimentos, de óbitos e saldo natural (1890-2012)
11.2 Proporção de solteiros, casados e viúvos (1890-2011)
11.3 Número de casamentos (1890-2013)

12. Emigração
12.1 Emigração legal e clandestina (1890-1988)
12.2 Emigração legal por decénios (1890-1988)
12.3 Emigração legal por distritos (1890-1988)

Nota prévia

Alguns factores que condicionaram os resultados dos recenseamentos populacionais em Portugal e que poderão ajudar a compreender melhor os gráfico que apresentarei de seguida:

1864 a 1910 – as elevadas taxas de natalidade (+/- 30%) e de mortalidade (+/- 20%); o aumento progressivo da vaga migratória, que tem como destino principal o Brasil (+/- 40.000 em 1910)

1910 a 1920 – o aumento da emigração para o Brasil até 1913 (+/- 80.000); a crise  económica resultante da 1ª Grande Guerra; a redução da emigração durante o conflito; a peste pneumónica que vitima grande número de crianças e idosos em 1918;

1920 a 1950 –  a retoma do fluxo migratório para o Brasil (+/- 30.000/ano) seguida de uma redução resultante da crise económica dos anos 30 e da paralisação dos transportes marítimos durante a 2ª Grande Guerra (+/- 20.000/ano)

1950 a 1970 – a alteração do destino da emigração, que  se passa  a fazer primordialmente para França (120.000 emigrantes legais em 1966)  e para as colónias  (+/- 20.000/ano);  a eclosão das guerras coloniais em 1961; o forte aumento da  emigração clandestina para França; a alteração de hábitos na sociedade portuguesa, designadamente da população feminina.

1970 a 1981 – a crise petrolífera de 1973, com redução da emigração para os países europeus; a baixa das taxas de natalidade e de mortalidade; o 25 de Abril de 1974 e a descolonização, com a vinda para o Continente de cerca de 600.000 residentes das ex-colónias; a chegada de imigrantes provenientes do PALOP  e Brasil; o aumento da esperança média de vida.

1981 a 2011 – a redução crescente da taxa de natalidade; o aumento do número de imigrantes, que passam a representar cerca de 4% da população; a crise financeira de 2008 com as consequentes restrições económicas; o aumento da emigração para os países europeus.


A estes há que adicionar factores de índole regional que  afectaram determinadas zonas como, por ex., a industrialização, a criação  de pólos educativos, a abertura de novas vias ferroviária e rodoviárias, as migrações internas da população,etc.

NÚMERO TOTAL DE HABITANTES (país)

Evolução entre 1864 e 2011

Gostaria de chamar a atenção para o facto de haver duas designações diferentes para a população recenseada entre 1864 e 1950.
A "população legal ou residente" designa o número de habitantes que tinham residência oficial num determinado local à data em que o recenseamento se desenrolou.
A “população de facto ou presente” designa o número de habitantes que se encontravam num determinado local à data em que o recenseamento teve lugar, podendo no entanto ter residência oficial noutro local. 
 Quando nos referirmos à população em termos globais iremos seguir o critério do INE, que se baseou nos valores relativos à “população residente”; quando nos referirmos aos grupos etários a nossa fonte será a designada “população de facto”, dela excluindo os habitantes referenciados como sendo de “idade desconhecida”
Esta diferenciação de conceitos é importante para percebermos o porquê de algumas disparidades entre os totais da população e a soma das parcelas dos grupos etários.
De notar ainda que embora o distrito de Setúbal só tenha sido constituído em 1926 decidi incluí-lo neste trabalho a partir de 1864, tomando como referência a população dos concelhos que dele vieram a fazer parte (sendo para o efeito excluídos do distrito de Lisboa). 
Obs.: O Censo de 1864 foi o primeiro que se realizou em Portugal de acordo com as normas estatísticas aprovadas internacionalmente. Realizado em condições muito difíceis apenas apurou o número de habitantes por sexos ("varões" e "fêmeas", solteiros, casados e viúv
os), a idade, o número de ausentes, dos recenseados, dos transeuntes, a população legal e  o número de fogos (correspondentes a famílias).
Número de Habitantes em Portugal, de acordo com os censos de 1864 a 2011
Vejamos então como evoluiu a "população residente" no período que vai de 1864 a 2011 em cada distrito, nos Açores e na Madeira.

1864
Em 1864 residiam em Portugal Continental, na Madeira e nos Açores 4.286.995 habitantes. A designada população "de facto ou presente" cifrava-se em 4.188.411 habitantes.
O Porto é o distrito mais populoso, seguido de Viseu e de Lisboa.

Setúbal aparece como o distrito com menos habitantes, seguido de Portalegre (ambos com menos de 100.000 hb) e Évora.
14 distritos/arquipélagos tinham menos de 250.000 habitantes
  6 distritos/arquipélagos tinham entre 250 e 500.000 habitantes
Dos 18 distritos 16 registaram neste censo o seu valor mais baixo 
Número de Habitantes em Portugal no Censo de 1864


1878
Em 1878 a população portuguesa atingia os 4.698.984 habitantes (4.550.699 habitantes "de facto"), a que correspondia um aumento de 411.989 habitantes relativamente ao censo anterior (média de 29.4 mil habitantes/ano). 
Todos os distritos registam aumento de população (o que não significa obrigatoriamente que o mesmo tenha acontecido ao nível dos concelhos).
O Porto continua a ser o distrito mais populoso, seguido de Lisboa e de Viseu.

Setúbal continua a ser o distrito com menos habitantes, seguido de Portalegre e Évora.
13 distritos/arquipélagos tinham menos de 250.000 habitantes
  7 distritos/arquipélagos tinham entre 250 e 500.000 habitantes
Número de Habitantes em Portugal no Censo de 1878


1890
Em 1890 a população portuguesa residente ascendia a 5.102.891 habitantes, a que correspondia um aumento de 403.907 habitantes relativamente ao censo anterior (média de 33.6 mil habitantes/ano). 
Os Açores registam uma redução de cerca de 8.000 habitantes, como reflexo da emigração que se fazia sentir no arquipélago.
O Porto continua a ser o distrito mais populoso (ultrapassando a barreira dos 500.000 hb.), seguido de Lisboa e de Viseu.

Setúbal continua a ser o distrito com menos habitantes, seguido de Portalegre e Évora.
11 distritos/arquipélagos tinham menos de 250.000 habitantes
  8 distritos/arquipélagos tinham entre 250 e 500.000 habitantes
  1 distrito tinha mais de 500.000 habitantes
Número de Habitantes em Portugal no Censo de 1890

1900
Em 1900 a população portuguesa passou a ser constituída por 5.446.760 habitantes, a que correspondia um aumento 343.869 habitantes relativamente ao censo anterior (média de 34.9 mil habitantes/ano). 
Continua a manter-se a tendência de crescimento em todos os distritos.
O Porto continua a ser o distrito mais populoso, seguido de Lisboa (que ultrapassa também a barreira dos 500.000 hb.) e de Viseu.

Portalegre passa a ser o distrito com menos habitantes, seguido de Évora e Setúbal.
10 distritos/arquipélagos tinham menos de 250.000 habitantes
  8 distritos/arquipélagos tinham entre 250 e 500.000 habitantes
  2 distritos tinham mais de 500.000 habitantes
Número de Habitantes em Portugal no Censo de 1900


1911
Em 1911 a população de Portugal atinge os 5 999 146 habitantes, a que correspondia o aumento populacional mais elevado desde o censo de 1864: mais 552.386 habitantes, com uma média de +50.2  mil habitantes/ano. 
Os Açores voltam a registar uma diminuição do número dos seus habitantes (-13 mil).
Lisboa passa a ser o distrito mais populoso , seguido do Porto e de Viseu.

Portalegre continua a ser o distrito com menos habitantes, seguido de Évora e Setúbal.
10 distritos/arquipélagos tinham menos de 250.000 habitantes
  8 distritos/arquipélagos tinham entre 250 e 500.000 habitantes
  2 distritos tinham mais de 500.000 habitantes
Número de Habitantes em Portugal no Censo de 1911


1920
O decénio de 1910-1920 é marcado por duas circunstâncias que vieram a condicionar fortemente a evolução populacional que se vinha a registar nos últimos anos: a 1ª Grande Guerra e a gripe pneumónica. 
As dificuldades económicas criadas pelo conflito que atingiu a Europa, acrescida dos milhares de soldados deslocados para França, juntamente com o aumento da mortalidade originada pela gripe levaram a que o País registasse um modesto aumento de 80.989 habitantes ao longo de 9 anos, o que dá uma média de +9.0 mil habitantes/ano.
Dez distritos registam uma quebra populacional, com especial incidência para os do Nordeste do País e para os Açores: Bragança perde cerca de 22 mil habitantes, a Guarda 15 mil, os Açores 12 mil, Viseu 12 mil e Vila Real 10.000. 
Lisboa continua a ser o distrito mais populoso , seguido do Porto e de Viseu.

Portalegre continua a ser o distrito com menos habitantes, seguido de Évora e Bragança.
10 distritos/arquipélagos tinham menos de 250.000 habitantes
  8 distritos/arquipélagos tinham entre 250 e 500.000 habitantes
  2 distritos tinham mais de 500.000 habitantes
O arquipélago dos Açores regista neste censo o seu valor mais baixo.
Número de Habitantes em Portugal no Censo de 1920

1930
Passados os horrores da guerra, conseguida a estabilidade política após a instauração do Estado Novo e condicionada pelos obstáculos levantados è emigração por parte de alguns países, Portugal vai aumentar o ritmo do crescimento populacional até aos anos 50. 
Em 1930 a população portuguesa atinge os 6.8 milhões de habitantes.  São mais 722.294 habitantes relativamente ao censo de 1920, o que significa uma aumento médio de 72.2 mil habitantes/ano.
Lisboa continua a ser o distrito mais populoso (ultrapassando a barreira dos 900.000 hb.), seguido do Porto e de Viseu.

Portalegre continua a ser o distrito com menos habitantes, seguido de Évora e Bragança.
  7 distritos/arquipélagos tinham menos de 250.000 habitantes
 11 distritos/arquipélagos tinham entre 250 e 500.000 habitantes
  2 distritos tinham mais de 750.000 habitantes
Número de Habitantes em Portugal no Censo de 1930


1940
É o ano que regista o maior aumento da população desde que há recenseamentos. É quase 1 milhão de habitantes a mais do que havia sido registado dez anos antes,atingindo os 7.755.423. A média anual de crescimento ronda os 95.3 mil.
Lisboa continua a ser o distrito mais populoso (ultrapassando a barreira dos 1.000.000 hb.), seguido do Porto e de Braga.

Portalegre continua a ser o distrito com menos habitantes, seguido de Évora e Bragança.
  4 distritos/arquipélagos tinham menos de 250.000 habitantes
 14 distritos/arquipélagos tinham entre 250 e 500.000 habitantes
  2 distritos tinham mais de 750.000 habitantes
Número de Habitantes em Portugal no Censo de 1940

1950
O período de 1940/50 é marcado pelo desencadear da 2ª Grande Guerra. Ainda que não haja mobilização de militares para a frente de batalha, as dificuldades e as incertezas pelo futuro vão influenciar a taxa da natalidade, com reflexos numa quebra do ritmo de crescimento. Mesmo assim, Portugal regista 8 510 240 habitantes, que se traduz num aumento populacional a rondar os 750 mil habitantes, com uma média anual de 75 mil.
Lisboa continua a ser o distrito mais populoso, seguido do Porto (ambos com mais de 1.000.000 hb.) e de Braga (que ultrapassa a barreira dos 500.000 hb).

Portalegre continua a ser o distrito com menos habitantes, seguido de Évora e Bragança.
  3 distritos/arquipélagos tinham menos de 250.000 habitantes
 14 distritos/arquipélagos tinham entre 250 e 500.000 habitantes
   1 distrito tinha entre 500 e 750.000 habitantes
  2 distritos tinham mais de 750.000 habitantes
Neste censo 7 distritos e o arquipélago da Madeira registam o seu valor mais elevado.
Número de Habitantes em Portugal no Censo de 1950


1960
Acabada a guerra na Europa há dois factores que vão condicionar a evolução da população portuguesa: a reconstrução dos países do centro da Europa, que recorrem à mão de obra estrangeira, o que leva às primeiras vagas de emigrantes portuguesas para estes países; a reabertura da navegação marítima inter-continental, com a consequente retoma da emigração para o Brasil e, agora em maior número, para as colónias africanas.
Daí que a população portuguesa ao registar 8 889 392 habitantes, tenha aumentado apenas cerca de 380 mil habitantes ao longo destes 10 anos, com uma média de 31.6 mil habitantes/ano.
E os sintomas do que irá acontecer no decénio seguinte começam a ter lugar em alguns dos distritos do interior. São 10 aqueles que vêm reduzir a sua população relativamente ao censo de 1950. A Guarda perde 25 mil habitantes, Beja 14 mil, Portalegre 12 mil.
Lisboa continua a ser o distrito mais populoso, seguido do Porto, de Braga  e Aveiro (que ultrapassa a barreira dos 500.000 hb).

Portalegre continua a ser o distrito com menos habitantes, seguido de Évora e Bragança.
  3 distritos/arquipélagos tinham menos de 250.000 habitantes
 13 distritos/arquipélagos tinham entre 250 e 500.000 habitantes
   2 distritos tinham entre 500 e 750.000 habitantes
  2 distritos tinham mais de 750.000 habitantes
Três distritos e o arquipélago dos Açores registam o seu valor mais alto.
Número de Habitantes em Portugal no Censo de 1960


1970
A década de 60/70 do século XX é a década da grande mudança das mentalidades e dos hábitos de vida. É tempo das revoltas estudantis; dos movimentos de "make peace, not war"; dos Beatles; da democratização do ensino; da libertação da mulher, que abandona o estatuto de doméstica para passar a trabalhar fora de casa; da divulgação da pílula e do aumento do controlo da natalidade; da emigração para França; da ida do interior para o grandes centros urbanos, seja para continuar os estudos, seja para procurar melhores condições de vida na designada Grande Lisboa ou Grande Porto; das guerras coloniais que levam alguns milhares de jovens para o designado Ultramar e muitos outros a engrossar as vagas dos emigrantes ilegais (que chega a atingir o dobro da emigração legal).
Desta quebra da natalidade e do aumento da emigração resulta que, pela primeira vez, Portugal, ao registar 8 648 269 habitantes, apresenta um saldo negativo na evolução da sua população: menos 240 mil habitantes, ou seja uma redução de cerca de 20 mil habitantes/ano.
Apenas os distritos de Aveiro, Braga, Lisboa, Porto e Setúbal (todos situado na zona litoral do País) não registam resultados negativos. Já Beja, por ex., regista uma quebra de 72 mil habitantes em 10 anos, a Guarda cerca de 70 mil, Viseu outros 70 mil, Castelo Branco 60 mil, Vila Real 58 mil, Bragança 54 mil, Faro 46 mil, Portalegre 43 mil.
Lisboa continua a ser o distrito mais populoso, seguido do Porto, de Braga e Aveiro.

Portalegre continua a ser o distrito com menos habitantes, seguido de Évora, Bragança e Beja (todos com menos de 200.000 hb.)
  5 distritos/arquipélagos tinham menos de 250.000 habitantes
 11 distritos/arquipélagos tinham entre 250 e 500.000 habitantes
   2 distritos tinham entre 500 e 750.000 habitantes
  2 distritos tinham mais de 750.000 habitantes
Número de Habitantes em Portugal no Censo de 1970


1981
Durante o período de 1970 a 1981 dois fenómenos ocorrem em Portugal e que irão ter reflexos nos resultados da evolução da população portuguesa: o 25 de Abril de 1974 e a vinda dos residentes portugueses na ex-colónias de África. 
No primeiro caso, a onda de esperança que varre o País leva a uma diminuição significativa da onda de emigrantes; por outro lado, a independência das colónia africanas leva a que cerca de 600.000 pessoas regressem ou venham para Portugal, o que contribui para o excepcional crescimento populacional registado durante estes 11 anos.
O País atinge os 9.8 milhões de habitantes, com um aumento de 1,2 milhões relativamente ao censo de 1970, ou seja uma média anual de +98.7 mil habitantes/ano.
A grande maioria dos então designados por "retornados" vai distribuir-se principalmente pelos distritos de Lisboa (+490 mil habitantes), do Porto (250 mil) e de Setúbal (+190 mil) e, ainda que em menor escala, pelos restantes distritos, numa operação de integração social que ainda hoje é consideradas das mais bem conseguidas em todo o mundo.
Apesar deste reforço populacional constata-se que há zonas do País que continuam a registar um forte índice migratórios: os Açores, por ex., perdem 45 mil habitantes ao longo destes 11 anos, Castelo Branco 21 mil e Beja 16 mil.
Lisboa continua a ser o distrito mais populoso (ultrapassando a barreira dos 2.000.000), seguido do Porto, Braga, Setúbal e Aveiro.

Portalegre continua a ser o distrito com menos habitantes, seguido de Évora, Bragança e Beja (todos com menos de 200.000 hb.)
  7 distritos/arquipélagos tinham menos de 250.000 habitantes
 8 distritos/arquipélagos tinham entre 250 e 500.000 habitantes
 3 distritos tinham entre 500 e 750.000 habitantes
 2 distritos tinham mais de 750.000 habitantes
Número de Habitantes em Portugal no Censo de 1981


1991
A partir dos anos 80 do século passado surge em Portugal um fenómeno novo em termos demográficos. De País que sempre teve uma tendência emigrante (saída para o estrangeiro), Portugal passa assumir-se também como País de imigrantes (entrada de estrangeiros), passando a receber naturais das antigas colónias africanas, do Brasil, e de Países do leste europeu, que aqui procuram uma melhoria das suas condições de vida.
Acentua-se, no entanto, a tendência para a baixa de natalidade, que se vai traduzir numa quebra acentuada da população mais jovem.
Daí resulta que em 1991 Portugal, ao recensear 9 867 147 habitantes, registe um crescimento mínimo de 34 mil habitantes entre censos, com uma média anual de apenas 2.8 mil habitantes.
E uma vez mais são os distritos do interior, designadamente da zona raiana, os mais afectados pela quebra populacional: Vila Real (-28 mil), Bragança (-26 mil), Viseu (-22 mil), Castelo Branco e Beja (-19 mil) e Guarda (-18 mil).
Lisboa continua a ser o distrito mais populoso seguido do Porto, Braga, Setúbal e Aveiro.

Portalegre continua a ser o distrito com menos habitantes, seguido de Bragança, Beja, Évora e Guarda (todos com menos de 200.000 hb.)
  8 distritos/arquipélagos tinham menos de 250.000 habitantes
 7 distritos/arquipélagos tinham entre 250 e 500.000 habitantes
 3 distritos tinham entre 500 e 750.000 habitantes
 2 distritos tinham mais de 750.000 habitantes
Número de Habitantes em Portugal no Censo de 1991


2001
Apesar da contínua baixa de natalidade, a imigração continua a mascarar o declínio populacional registado no País, que ultrapassa pela primeira vez a barreira dos 10 milhões, ao recensear 10 356 117 habitantes . No período de 1991 a 2001 a população recenseada cresce cerca de 490 mil habitantes, a que corresponde uma média anual de +49.0 mil.
Ainda que os valores não sejam tão baixos como no decénio anterior, alguns distritos do interior continuam a perder população: Vila Real (-13 mil), Bragança (9 mil), Beja e Guarda (8 mil).
Lisboa continua a ser o distrito mais populoso seguido do Porto, Braga e Setúbal (que ultrapassam a barreira dos 750.000 hb).

Portalegre continua a ser o distrito com menos habitantes, seguido de Bragança, Beja, Évora e Guarda (todos com menos de 200.000 hb.)
  9 distritos/arquipélagos tinham menos de 250.000 habitantes
 6 distritos/arquipélagos tinham entre 250 e 500.000 habitantes
 1 distritos tinham entre 500 e 750.000 habitantes
4 distritos tinham mais de 750.000 habitantes
Número de Habitantes em Portugal no Censo de 2001


2011
As difíceis condições económicas vividas pelo Pais neste primeiro decénio do século XXI vão levar a que muitos dos imigrantes regressem aos seus países de origem.
A isto acresce a redução da natalidade e a manutenção dos índices de emigração, pelo que o número de habitantes ascende apenas a 10 562 178, o que leva a que o aumento populacional entre 2001 e 2011 se cifre em mais 206 mil habitantes, com uma média anual de +20.6 mil. 
O distrito da Guarda continua a perder habitantes (-19 mil), bem como Viseu e Vila Real (-17 mil), Bragança (-13 mil) e Castelo Branco (-12 mil).
Lisboa continua a ser o distrito mais populoso seguido do Porto, Braga e Setúbal.

Portalegre continua a ser o distrito com menos habitantes, seguido de Bragança, Beja, Guarda, Évora e Castelo Branco (todos com menos de 200.000 hb.)
  9 distritos/arquipélagos tinham menos de 250.000 habitantes
 6 distritos/arquipélagos tinham entre 250 e 500.000 habitantes
 1 distritos tinham entre 500 e 750.000 habitantes
4 distritos tinham mais de 750.000 habitantes
Sete distritos registam neste censo o seu valor mais elevado e três o seu valor mais baixo.
Número de Habitantes em Portugal no Censo de 2011



Ainda que a questão da evolução da população portuguesa tenha sido colocada de forma muito geral, parece-me que do conjunto destes gráficos podemos, desde já, retirar algumas conclusões:
- a variação da população portuguesa depende de vários factores, uns de índole interna e outros de índole externa;
- essa variação não é uniforme ao longo dos diferentes recenseamentos e difere de distrito para distrito
- é notória a quebra verificada na maior parte dos distritos do interior, contrabalançada pelo aumento significativo de população nos distritos situados na zona litoral.
No fundo, o que daqui ressalta são dois fenómenos que estão subjacentes às alterações da população portuguesa: 
  • a desertificação populacional do interior de Portugal;
  • o desenvolvimento populacional da zona litoral do País
Mas mais importante do que olharmos apenas para os valores globais da população residente, registados nos recenseamentos, é verificarmos as alterações que se registaram ao nível dos diferentes grupos etários.
É isso que iremos ver em capítulos seguintes.


















Número total de habitantes (por distrito)

Portugal - Número de habitantes por distrito (1864-2011)


Portugal - Número de habitantes
A evolução da população portuguesa apresenta diferenças acentuadas no que respeita às diferentes regiões que constituem o País.
De forma sucinta comparemos os resultados dos censos de 1864, 1911, 1960 e 2011.
Em 1864 o distrito mais populoso do País era o do Porto com 420 mil habitantes, a que se seguia o de Viseu com 366 mil. Lisboa surgia apenas em 3º lugar com 349 mil. Setúbal situava-se como o distrito menos populoso, com apenas 92 mil habitantes, a que se seguia Portalegre com 98 mil e Évora com 102 mil.


Portugal - Número de habitantes em 1864
Cinquenta anos depois Lisboa passava a ser o distrito com mais habitantes (682 mil), seguido de muito perto pelo Porto (681 mil). Viseu mantinha o 3º lugar com 422 mil. No fundo da tabela Setúbal (166 mil) ultrapassava Évora (150 mil) e Portalegre (143 mil).
Portugal - Número de habitantes em 1911
Em 1960 Lisboa (1.4 milhões) aumentava  a distância relativamente ao Porto (1.2 milhões). Viseu (482 mil) descia para a 5ª posição, sendo ultrapassado por Aveiro (525 mil) e Braga (597 mil). Setúbal registava um crescimento bastante acentuado e atingia a 9ª posição. Portalegre (189 mil), Évora (220 mil) e Bragança (233 mil) assumiam-se como os distritos menos populosos.
Portugal - Número de habitantes em 1960
O censo de 2011 apresenta um país muito diferente. Enquanto Lisboa (2.3 milhões), Porto (1.8 milhões), Setúbal (851 mil), Braga (848 mil), Aveiro (714 mil), Leiria (470 mil) e Faro (451 mil) registam valores superiores aos verificados em 1960, todos os outros distritos apresentam um decréscimo populacional. Os seis distritos menos populosos situam-se todos na zona raiana: Portalegre (119 mil), Bragança (136 mil), Beja (153 mil), Guarda (161 mil) , Évora (167 mil) e Castelo Branco (196 mil).
Portugal - Número de habitantes em 2011
Se quantificarmos esta evolução em termos do número de distritos/arquipélagos verificamos desde logo uma significativa discrepância. 
O número de distritos com menos de 200 000 habitantes passa de 9 para 1 entre 1864 e 1960 (traduzindo um crescimento populacional), enquanto que entre 1960 e 2011 sobe de 1 para 6 (reflectindo um decréscimo do número de habitantes).
Já no que respeita aos distritos com mais de 400 000 habitantes verificamos que entre 1864 e 1960 há um aumento significativo (de 1 para 8), mantendo-se sem grandes alterações entre 1960 e 2011.



Se repararmos nos mapas anteriores, em que a mancha amarela representa os distritos com menos de 200 000 habitantes e a verde os que registavam mais de 400 000 é fácil constatar que o decréscimo populacional abrange praticamente toda a zona interior do País ao contrário do que se verifica na zona litoral.

Este fenómeno é o resultado principalmente de dois factores: por um lado a emigração para o estrangeiro e a baixa de natalidade que atinge com mais intensidade o interior do País; por outro a deslocação de parte da população das regiões rurais do interior do País para os núcleos industriais da Grande Lisboa e Grande Porto (o chamado fenómeno da "litoralização").
Se dividirmos o País em 2 partes, colocando de um lado os 9 distritos da zona litoral e do outro os 9 do interior observamos que:
- em 1864 residiam no interior 1.7 milhões de habitantes e no litoral 2.3 milhões
- em 1911 o interior registava 2.2 milhões e o litoral 3.4 milhões
- em 1960 os valores tinham passado para 2.8  e 5.5 milhões respectivamente
- em 2011 as diferenças acentuam-se; o interior reduz para 2.0 milhões, enquanto o litoral aumenta para 8.1 milhões.
(De notar que a área ocupada pelos distritos do litoral é cerca de metade da ocupada pelos distritos do interior).
As alterações tornam-se ainda mais evidentes quando as traduzimos em percentagens:
- 1864: 42.2% no interior; 57.8% no litoral
- 1911: 39.2% no interior; 60.8% no litoral
- 1960: 33.6% no interior; 66.4% no litoral
-2011: 19.6% no interior; 80.4% no litoral
Estes dados indiciam com bastante nitidez a tendência que se verifica ao longo dos últimos anos para uma desertificação populacional do interior do País e um crescente ascendente das regiões do litoral. 
Será importante, no entanto, recordar que os valores atrás referidos traduzem a média dos concelhos que constituem os distritos portugueses, pelo que teremos que levar em linha de conta que muitos deles apresentam valores ainda mais gravosos.
Portugal - O interior e o interior do País
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Vejamos agora como se processou a evolução populacional ao nível de cada um dos distritos.

2. Açores 
A evolução da população apresenta uma grande oscilação. Nos finais do século XIX, princípios do século XX, situava-se na ordem dos 250 mil habitantes. No período de 1911/20 regista um decréscimo para 230 mil, reflectindo os efeitos da 1ª Grande Guerra e da peste pneumónica de 1818. 
Crescimento constante até 1960, quando atinge o máximo de 327 mil habitantes. 
Segue-se uma fase de declínio que se mantém até aos dias de hoje, com uma média de 240 mil habitantes ao longo dos últimos 30 anos.
Açores - Número total de habitantes
3. Distrito de Aveiro
É das poucas regiões do País que mantém um crescimento efectivo desde que há registos censitários credíveis. 
Dos 250 mil habitantes recenseados em 1864 atingia os 714 mil em 2011, sem apresentar registos negativos entre censos.
Distrito de Aveiro  - Número total de habitantes
4. Distrito de Beja
De 1864 a 1950 apresenta um registo populacional sempre a crescer, passando dos originais 135 mil habitantes para 291 mil. 
A partir de então, por efeito da emigração e da baixa de natalidade, regista um acentuado declínio situando-se em 2011, com 153 mil habitantes, praticamente ao nível daquele que registava cento e cinquenta anos atrás.
Distrito de Beja - Número total de habitantes
5. Distrito de Braga
Outro dos  distritos que apresenta um crescimento constante em todos em censos populacionais, passando de 317 mil habitantes em 1864 para cerca de 850 mil em 2011.
Distrito de Braga - Número total de habitantes
6. Distrito de Bragança
Um dos distritos mais causticados pela emigração e pela baixa de natalidade. 
Regista um crescimento constante entre 1864 e 1960, apenas interrompido no período de 1911/20. 
Passa de 161 mil habitantes em 1864 para 233 mil em 1960.
A partir daí o decréscimo populacional é acentuado, apenas interrompido no período de 1970/1981, que coincide com o regresso dos residentes nas ex-colónias portuguesas de África.
Em 2011 a população deste distrito situava-se nos 136 mil habitantes.
Distrito de Bragança - Número total de habitantes
7. Distrito de Castelo Branco
Mais um dos distritos do interior do País que foi fortemente afectado pela emigração. 
Em 1864 registava cerca de 160 mil habitantes que foram aumentando até aos 325 mil em 1950.
De então para cá a diminuição da população tem sido uma constante, situando-se em 2011 na ordem dos 196 mil habitantes.
Distrito de Castelo Branco - Número total de habitantes
8. Distrito de Coimbra
A evolução da sua população reflecte a situação intermédia deste distrito, com o desenvolvimento característico das regiões do  litoral e a redução das regiões do interior.
De 1864 a 1950 apresenta um crescimento constante, apenas interrompido no período de 1911 a 1920, passando dos originais 282 mil para 439 mil. 
Regista um decréscimo na década de 1960/70, ainda que inferior a outros distritos do interior.
De então para cá mantém uma população estável, a rondar os 430 mil habitantes.
Distrito de Coimbra  - Número total de habitantes
9. Distrito de Évora
Também neste caso se assiste a um crescimento da população entre 1864 e 1960, que passa de 102 mil para cerca dos 220 mil.
Regista na década de 70 do século passado uma quebra para cerca de 178 mil, mas mantém uma certa estabilidade a partir daí, com um registo na ordem dos 167 mil em 2011.
Distrito de Évora - Número total de habitantes
10. Distrito de Faro
Com crescimento constante entre 1864 e 1950, passando de 177 mil para 328 mil habitantes, apesar do ligeiro decréscimo registado no período de 1911/1920.
Após o decréscimo registado em 1970, quando atinge os 268 mil habitantes, apresenta um crescimento acentuado com 451 mil recenseados em 2011.
Distrito de Faro - Número total de habitantes
11. Distrito da Guarda
Outro dos distritos mais afectados pela emigração. Após um crescimento contínuo entre 1864 e 1911, quando passa de 214 mil para 274 mil habitantes, regista um decréscimo nos censos de 1920 e 1930, para cerca de 259 mil, a que se segue uma fase de crescimento até anos 50 do século passado, ao atingir os 308 mil.
A partir de então apresenta uma acentuado decréscimo na década de 1960/70, que se vem mantendo até aos dias de hoje, com um registo de 161 mil habitantes em 2011 (valor este inferior ao que havia registado no censo de 1864).
Distrito da Guarda - Número total de habitantes
12. Distrito de Leiria
Mais um distrito do litoral que apresenta uma evolução diferente da que encontramos no interior do País.
Se exceptuamos o período de 1960/1970, em que regista uma uma quebra no número de habitantes, o distrito de Leiria situa-se entre aqueles que apresentam um crescimento contínuo ao longo destes últimos 150 anos, passando de 177 mil habitantes em 1864 para 471 mil em 2011.
Distrito de Leiria - Número total de habitantes
13. Distrito de Lisboa
Nos censos realizados entre 1864 e 1930 este distrito incluía as localidades que mais tarde vieram a constituir o distrito de Setúbal. Os valores aqui referidos dizem no entanto respeito apenas aos concelhos que constituem actualmente o distrito de Lisboa.
A tendência de crescimento verificada no distrito é das mais elevadas ao nível do País, com uma variação que vai dos 350 mil habitantes recenseados em 1864 para os 2 milhões apurados em 1981, população esta que se mantém mais ou menos estável nos últimos 30 anos.
Distrito de Lisboa - Número total de habitantes
14. Madeira
Também neste caso assistimos a um contínuo crescimento da população, que passa dos 110 mil em 1864 para os 270 mil em 1970, e que e mantém mais ou menos estável a partir dessa data.
Madeira - Número total de habitantes
15. Distrito de Portalegre
Mais um distrito  que reflecte as condicionantes do interior do País, designadamente da zona raiana e que se caracteriza pelo crescimento populacional até meados do século XX, a que se segue um acentuado declínio que se mantém até aos dias de hoje.
De facto, constata-se que este distrito tinham em 1864 cerca de 98 mil habitantes, atinge os 200 mil em 1950 e decresce até aos 119 mil em 2011.
Distrito de Portalegre - Número total de habitantes
16. Distrito do Porto
É o distrito que se apresenta com o segundo maior crescimento, a seguir ao de Lisboa. Todos os censos registam valores superiores relativamente aos precedentes.
De 420 mil habitantes recenseados em 1864 passamos para 1,8 milhões em 2011.
Distrito do Porto - Número total de habitantes
17. Distrito de Santarém
Tendência de crescimento mista. Crescimento acentuado entre 1864 e 1950, passando de 202 mil para 460 mil habitantes em cerca de 100 anos. Estabilidade populacional desde meados do século passado até aos dias de hoje, com uma diferença de cerca de 6 mil habitantes ao fim de 60 anos.
Distrito de Santarém - Número total de habitantes
18. Distrito de Setúbal
Embora este distrito só tenha sido constituído em 1926 os resultados aqui referidos dizem respeito aos locais que dele vieram a fazer parte, e que até essa data estavam adstritos ao distrito de Lisboa.
Também neste caso não há registos negativos em qualquer dos recenseamentos efectuados. Dos iniciais 92 mil habitantes que residiam neste distrito em 1864  passamos para 851 mil em 2011, com um crescimento de quase 50% a verificar-se nos últimos 50 anos.
Distrito de Setúbal - Número total de habitantes
19. Distrito de Viana do Castelo
Mais um distrito com uma tendência mista de crescimento. Um tímido crescimento entre 1864 e 1900 (de 204 mil para 219 mil habitantes), a que segue uma estabilização entre 1911 e 1930 (de 232 mil para 233 mil), e um significativo crescimento na década de 1930/1940, que continua até aos anos 60 quando atinge cerca de 280 mil habitantes.
Tal como outras regiões do interior regista um decréscimo em 1970 para 251 mil habitantes, valor este que se mantém mais ou menos inalterável até aos dias de hoje.
Distrito de Viana do Castelo - Número total de habitantes
20. Distrito de Vila Real
Mais um distrito do interior que reflecte os custos da interioridade e da quebra populacional que está associada à emigração, especialmente a partir dos anos 50/60 do século passado. De facto após um crescimento contínuo entre 1864 e 1960, em que passa de 218 mil para 325 mil habitantes (com um ligeiro decréscimo em 1920), assistimos a uma contínua diminuição do número dos seus habitantes que atinge em 2011 os 207 mil, valor este que (tal como verificado no distrito da Guarda) fica aquém do verificado em 1864.
Distrito de Vila Real - Número total de habitantes
20. Distrito de Viseu
A evolução da população deste distrito apresenta as características do interior do País. Após um contínuo crescimento entre 1864 e 1950, em que passa dos 366 mil para 495 mil habitantes (com uma ligeira quebra nos anos 20), assistimos a uma acentuada quebra populacional a partir dos anos 60, que se mantém até aos dias de hoje, com o distrito a registar 378 mil habitantes (pouco superior ao valor apresentado em 1864).
  
Distrito de Viseu - Número total de habitantes

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Em próximos capítulos veremos como se processou a evolução da população portuguesa ao nível dos grupos etários - dos 0 aos 14 anos, dos 15 aos 24 anos, dos 25 aos 64 anos e dos 65 e mais anos.

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